fbpx
Share on whatsapp
Share on facebook
Share on email
Share on linkedin

Higiene Genital Feminina – Como fazer.

O estilo de vida assumido pela população, em especial a mulher, com rotina de intensa jornada de trabalho, muita das vezes sem possibilidade de intervalos e com muito tempo em posições ergonômicas desfavoráveis à saúde, provocam alterações em seu corpo que atrapalham seu dia a dia. Sob esse aspecto, torna-se uma preocupação da mulher a dificuldade em manter a correta higiene intima diante ao possível aparecimento de odores desagradáveis e “corrimentos vaginais”. Nesse sentido, alguns cuidados podem ser tomados e favorecer a redução da incidência dessas queixas tão habituais da mulher.

CONHECENDO A GENITÁLIA FEMININA

                Do Genital Externo fazem parte: Monte de Vênus, Lábios Maiores e Lábios Menores. Já do Genital Intermediário fazem parte: Vestíbulo, Uretra e Glândulas Vulvares. E do Genital Interno fazem parte a Vagina e o Colo do Útero.

                O Monte de Vênus é uma elevação gordurosa com pelos, glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas, que normalmente apresenta acúmulo de muitas secreções e gorduras. Os lábios Maiores, por sua vez, correspondem a um par de dobras cutâneas de tecido adiposo e fibroso ricos em glândulas sebáceas e sudoríparas que a partir da puberdade se cobrem de pelos. Ainda no Genital Externo, os Lábios Menores consistem em duas finas dobras de tecido conectivo.

HIGIENE DO GENITAL EXTERNO: ATENÇÃO DEVE SER DADAÀS DOBRAS ENTRE OS GRANDES LÁBIOS E PEQUENOS LÁBIOS QUE DEVEM SER HIGIENIZADAS REGULARMENTE BEM COMO DEVEM SER BEM SECAS A FIM DE EVITAR INFECÇÕES.

                No Genital Intermediário, o Vestíbulo é uma fenda entre os lábios menores que contém a entrada (óstio) da vagina. Nele encontram-se as glândulas vestibulares chamadas de Glândulas de Bartholin e Glândulas de Skene. A semimucosa presente no vestíbulo vulvar apresenta glândulas sebáceas e produtoras de muco. A vagina é um canal formado por mucosa permeável que sofre interferência de variações hormonal e de afluxo (saída) sanguíneo. A mucosa vaginal não apresenta qualquer estrutura glandular e propicia a absorção de medicamentos colocados nessa região. Importante destacar que as diferenças entre as áreas da genitália feminina determinam respostas diferentes aos diversos agentes infecciosos e também diferentes manifestações clínicas. Dessa forma, é preciso ter conhecimento de que os produtos de higiene que são adequados para a vulva NÃO necessariamente são adequados para a vagina ou mesmo para a região do introito vaginal.

                O trato genital feminino possui vários mecanismos de defesa contra agentes infecciosos, dentro os quais podemos ressaltar a barreira epitelial, síntese de muco protetor, pH vulvar e vaginal e componentes inespecíficos inerentes a imunidade inata. Em relação a pele da vulva, a barreira cutânea é facilmente rompida por diversos fatores, tais como a oclusão pelo uso de roupas íntimas, os absorventes higiênicos, a própria menstruação e uso de produtos de higiene inadequados. Esses fatores agridem a barreira cutânea tornando a pele da vulva susceptível a várias dermatoses, como infecções bacterianas e fúngicas, dermatites irritativas, alergia de contato, entre outros. A média do pH da vulva é menos ácida em relação a outras partes do corpo. A oclusão e o uso de produtos alcalinos aumentam o pH da região, facilitando sobremaneira o aparecimento de algumas dermatoses. A manutenção do pH ácido nesta região pode ser útil na prevenção e controle de doenças.

                A flora vaginal normal é constituída por diferentes espécies de lactobacilos formando um biofilme natural que reveste toda a mucosa. Esses bacilos inibem a adesão, o crescimento e a proliferação de outros microrganismos estranhos ao meio vaginal por intermédio de diversos mecanismos, incluindo secreção de ácidos orgânicos, produção de substâncias antimicrobianas e competição por nutrientes e receptores. Essas substâncias são responsáveis pela manutenção do pH vaginal ácido que inibe o crescimento de estreptococos e anaeróbios (incluindo Gardnerella vaginalis).

MANEJO EM HIGIENE ÍNTIMA FEMININA

ÁREAS A SEREM HIGIENIZADAS:  Componentes externos (monte púbico, pele da vulva, raiz das coxas e região perianal) e componentes intermediários (interior dos grandes lábios e pequenos lábios):

                A higienização deverá evitar a introdução de substâncias na cavidade vaginal. A frequência diária da higiene deve ocorrer preferencialmente em dias quentes de uma a três vezes ao dia e em dias frios pelo menos uma vez ao dia.

TÉCNICA DE HIGIENIZAÇÃO

                A vulva, a região pubiana, a região perianal e os sulcos crurais (raiz das coxas) deverão ser lavados com água corrente e com produtos de higiene com movimentos circulares, evitando trazer o conteúdo perianal para a região vulvar e permitindo que atinja todas as dobras sem exceção. Incluir pequenos, grandes lábios e região do clitóris no processo. Em seguida, é preciso secar cuidadosamente as áreas lavadas com toalhas de algodão secas e limpas. O tempo de higienização não deve ser superior a três minutos para evitar o ressecamento local.

ATENÇÃO: NÃO SE DEVE INTRODUZIR ÁGUA E OUTROS PRODUTOS DE HIGIENE NO INTERIOR DA VAGINA COM O AUXÍLIO DE DUCHAS VAGINAIS. BANHOS DE ASSENTO SOMENTE DEVEM SER REALIZADOS SOB RECOMENDAÇÃO MÉDICA.

 

PRODUTOS DE HIGIENE ÍNTIMA FEMININA

  1. SABONETES EM BARRA x SABONETES LÍQUIDOS

                A maioria das mulheres utiliza o mesmo sabonete em barra utilizado do corpo para a higiene íntima, porém o pH alcalino pode destruir a camada superficial da pele, causando ressecamento e diminuição da acidez na pele vulvar e região adjacente. Os sabonetes em barra têm maior probabilidade de uso compartilhado com outras pessoas.  Dessa forma, a opção mais adequada é um produto com detergência suave, que não altere o pH da região e seja hipoalergênico. Sabonetes líquidos específicos para a higiene íntima evitam a remoção excessiva da camada lipídica que protege a pele do local.

  • LENÇOS UMEDECIDOS

                São muitos úteis para a higiene íntima fora de casa, banheiros públicos, etc. Por conterem substâncias com detergência, os lenços umedecidos são menos abrasivos e mais eficazes na retirada de secreções e resíduos que o papel higiênico. É necessário cuidado com reações alérgicas! Observe os componentes presentes no rótulo e teste antes no antebraço para observar eventuais reações indesejadas.

  • ABSORVENTES HIGIÊNICOS

                O ideal é que a troca no período menstrual ocorra entre quatro e oito horas, variando de acordo com o fluxo e o tipo de coleta utilizada. Mesmo que o fluxo esteja discreto é importante trocar o absorvente com frequência. A cada troca o ideal é lavar a região íntima, mas se não houver essa possibilidade, lenços umedecidos podem ser úteis no período.  

                O uso de absorventes externos não respiráveis no período intermenstrual deve ser evitado. Em casos onde há muita transpiração, perda de urina ou de secreção vaginal excessiva, o uso de absorventes externos respiráveis pode ser uma boa indicação para diminuir a umidade local e deve ser trocado em no máximo quatro horas.

  • COLETOR MENSTRUAL

                Consiste em um copinho de silicone, hipoalérgico e antibacteriano, que se ajusta ao corpo da mulher e coleta o sangue de menstruação. Algumas mulheres acham que o coletor é anti-higiênico, mas na realidade ele evita o contato do sangue com o oxigênio e a proliferação de bactérias e odores. Também não altera o pH vaginal e não atrapalha a lubrificação.

                O coletor menstrual e o absorvente interno são totalmente diferentes. Enquanto o coletor é maleável e fica na entrada da vagina, o absorvente interno fica no fundo da vagina. O absorvente interno pode promover um ressecamento interno, pois absorve todo tipo de fluídos.

 

SITUAÇÕES ESPECIAIS PARA A HIGIENE INTIMA

 

  1. PÓS COITO

                Após o ato sexual, é preciso lavar a área genital externa com água e produto de higiene íntima e NUNCA fazer uso de duchas vaginais.

  • PERÍODO MENSTRUAL

A higiene deve ocorrer com um intervalo de tempo menor, a fim de aumentar a remoção mecânica de resíduos e melhorar a ventilação genital com consequente redução da umidade prolongada. Substâncias levemente ácidas favorecem o pH adequado da região.

  • PÓS MENOPAUSA

                Recomenda-se lavar, no máximo duas vezes ao dia, usando produtos com pH próximo ao fisiológico para evitar maior ressecamento e consequente prurido (coceira).

  • INFÂNCIA

                As pré púberes tem características genitais que exigem cuidados especiais. Tanto a escassez quanto o excesso na frequência e fricção durante a higiene podem trazer consequências desagradáveis. Deve ser feito o uso de produtos com pH entre 4,2 e 5,5 (SYNDETS) no banho da criança e cada vez que houver evacuação. Além dos sabonetes líquidos é fundamental o cuidado em secar cuidadosamente a região ano genital.

  • PÓS ATIVIDADE FÍSICA

                Fazer a higiene dos genitais logo após o término das atividades físicas para evitar que o suor e outras secreções irritem a pele da vulva.

  • PÓS DEPILAÇÃO

                A depilação da área gênito anal pode ser feita respeitando a sensibilidade individual de cada paciente. A frequência deverá ser a menor possível, porém a extensão da área depilada fica a critério de cada mulher, uma vez que o excesso de pelos pode contribuir para o acúmulo de resíduos e secreções. Após a depilação, o uso de substâncias calmantes, tais como água boricada e loções de camomila, podem ajudar. As peles ressecadas deverão ser hidratadas com hidratante não oleoso. Não usar hidratante na mucosa e semimucosa.

Autor: Dr. Marco Antonio Pimentel

Share on facebook
Share on google
Share on twitter
Share on linkedin
Share on email
Share on whatsapp

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Open chat