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“Vi meu útero pela primeira vez aos 31 e agora tudo faz sentido.”

Eu tive minha menarca (primeira menstruação) quando fiz 14 anos. Não odiei, mas também não olhei com atenção, e nem aproveitei a potência criativa que só o fato de reconhecê-la me traria. Poucos anos depois vieram as primeiras cartelas (de quase uma década) de anticoncepcional prescritas por diagnóstico – à época – de ovários policísticos. Os médicos falavam e a gente fazia. Nem questionava. Até as médicas mais simpáticas não saíam deste padrão de atendimento. Era assim antigamente, não é mesmo? E esse antigamente para mim é presente, realidade atual, para tantas mulheres.

Nos últimos anos a ginecologia natural vem ganhando popularidade, humanizando o cuidado com a saúde feminina e ajudando a desconstruir tabus. Não é uma especialidade exclusiva de médicos, até porque meu primeiro contato com o tema foi por meio de terapeutas e naturólogas – aliás, médicos e terapeutas não são rivais na medicina natural, são complementares, time. Como o conceito tem a autonomia como pilar, talvez, em breve, seja visto como um estilo de vida.

Neste mês que se fala tanto da saúde feminina, queria compartilhar insights e (re)descobertas que tive ao me aproximar da ginecologia natural nos últimos anos, sendo conduzida por terapeutas como paciente e, depois, no meu próprio autocuidado.

Quando vi meu útero pela primeira vez

Passamos uma vida conhecendo nosso colo do útero apenas por meio dos exames de imagem e, claro, achando tudo horrível. Vi meu colo do útero pela primeira vez aos 31 anos. Como? Na primeira consulta com uma naturóloga especializada em saúde da mulher. No primeiro contato ela me falou sobre autonomia, intimidade com o corpo e me presenteou com meu próprio espéculo (um instrumento com o qual o médico é capaz de enxergar, e examinar, o interior de uma cavidade do paciente).

Na época, ouvi da Carol Carvalho, do Natureza Medicinal, que eu poderia ter autonomia para observar meu corpo e, assim, perceber às vezes em que não preciso ir a um médico. Afinal, quantas mulheres não sabem, por exemplo, nem identificar tipos de corrimento e vão direto ao médico para ouvir que não é nada demais.

No começo era supercomplicado – afinal, não entendemos nem da nossa própria autonomia. Depois ficou mais fácil de eu mesma colocar do que minha própria médica. Esta auto-observação – que não dizer que exclui a medicina, mas completa – já me permitiu algumas vezes perceber quando eu iria menstruar ou acabar de ovular.

Nosso corpo é único e lindo

Cada vulva é única. Cada útero, idem. Eu já tinha ido a algumas ginecologistas mais humanizadas, mas nenhuma me permitia o direito de ver o que ela via por meio do espéculo. Dia desses, em uma conversa com a ginecologista Cidinha Ikegiri, ela contou que, hoje, faz questão de mostrar com um espelho às suas pacientes que, num primeiro momento, mostram-se aflitas. “Ainda há muito a ressignificar. Os padrões estéticos não ajudam. O Brasil é um dos países que mais realiza cirurgias estéticas íntimas”, disse.

A natureza é tratamento, sim!

Se você vai em um médico convencional para contar de sintomas normalizados no dia a dia, como cólicas, TPM ou até ciclo irregular, de lá você sai direto para a farmácia. Na ginecologia natural as ervas ou melhor, a fitoterapia e a aromaterapia, são usadas em tratamentos da saúde feminina. Mais uma vez: não é disputa com a medicina, é complemento.

Chás de camomila e melissa feitos em casa ajudam um tanto em cólicas, mas profissionais também podem prescrever cápsulas de ervas e flores de uma forma ainda mais potente. Já tive ótimas experiências em tratamentos bem específicos. Mas está aí uma seara cheia de informações desencontradas na internet. Procure acompanhamento no começo, ok?

Menstruar não é feito, nem sujo, é vida!

Outro tabu enraizado em nossa sociedade: que o sangue menstrual é sujo e que o ato de menstruar é nojento, feio, deve ser escondido. Com a prática da ginecologia natural aprendemos a falar as palavras como elas são: menstruação, por exemplo, e não “estou naqueles dias” como se estivéssemos cometendo um crime. Menstruar é parte do nosso corpo, da nossa vida cíclica. Precisamos normalizar, mas ao mesmo tempo, resgatar a sacralidade que envolve esta fase do ciclo: cultivar um olhar de agradecimento.

Aliás, nem todo ciclo é igual

A gente cresce achando que um ciclo menstrual normal é de vinte e oito dias. E, logo, cresce achando que é toda errada, afinal, segundo estudos, é muito normal e comum este ciclo variar para mais ou menos de três a cinco dias. As profissionais desta área nos empoderam pelo simples fato de passar uma informação correta, com empatia.

Observar o ciclo é ferramenta de autoconhecimento

Muito se fala de TPM e menstruação, mas nosso ciclo é formado por quatro fases: ainda temos a folicular e ovulação. E cada um tem sua potência (suas manifestações físicas e emocionais). Quando passamos a observar e dar atenção a todas, podemos perceber em qual delas ficamos com menos ou mais energia, e até programar nosso autocuidado, reorganizar agenda… É uma superferramenta de autoconhecimento.

As mandalas lunares – muito popularizada no Brasil pelo trabalho da terapeuta corporal e estudiosa Morena Cardoso – , não à toa, ganharam fama, pois permitem a observação sintonizando ainda com as fases da lua. Mas se você anotar até mesmo no bloco de notas do celular já ajuda muito.

Me deixou mais crítica como paciente

Eu não admito mais ir em qualquer médico, fazer uma pergunta sobre minha saúde e ouvir uma explicação técnica com zero paciência. No mínimo quero ser acolhida, compreendida e sair do consultório bem informada sobre mim mesma. E isso passou a valer para todas as especialidades. A aproximação com a ginecologia natural e humanizada é empoderamento para a vida!

Fonte: Yahoo

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